O Google Earth é uma ferramenta fantástica, mas se há uma crítica que pode ser feita a ele, é que está permanentemente desatualizado devido ao intervalo de tempo entre o momento em que os dados que alimentam o programa são angariados e a entrada deles no ar. Mas, agora, duas startups da Califórnia, nos Estados Unidos, estão colocando um enxame de pequenos satélites no espaço e criando imagens de satélite em tempo real que podem solucionar este problema.
As duas empresas compartilham a mesma visão: com uma quantidade suficiente de pequenos satélites em órbita, pode ser possível fotografar as mesmas partes do planeta diversas vezes ao dia. Não é apenas um conceito: a Planet Labs, com sede em San Francisco, lançou 28 satélites no espaço durante esta semana.
Conhecidos como “Doves”, essas coisinhas têm mais ou menos o tamanho de uma torradeira, pesam cerca de 5kg e conseguem capturar imagens com resolução entre 3 a 5 metros. Em Palo Alto, a Skybox Imaging está montando 24 satélites maiores, cada um pesando cerca de 100kg e capazes de adquirir imagens com resolução 1 metro melhor do que os da Planet Labs. A ideia é que esses novos satélites sejam lançados em novembro deste ano.
Assim que os satélites estiverem no espaço e for estabelecido que eles funcionam corretamente, tanto a Planet Labs quanto a Skybox Imaging vão inicialmente levar seus dados para parceiros comerciais. As imagens podem ser usadas para sistemas de monitoramento de trânsito e para observar pátios industriais ou mudanças em terras cultivadas.
Mas, como a Nature lembra, o projeto é mais promissor do que parece: ele não vai simplesmente ajudar as empresas a ganharem mais dinheiro. Imagine quão úteis essas imagens podem ser durante e após desastres naturais ou crises humanitárias: observação rápida de enchentes ou zonas de terremotos pode ter um grande impacto na forma como lidamos com essas emergências, e ainda ajudar a salvar centenas de vida.
Não é surpreendente, portanto, que o Programa de Aplicações Operacionais por Satélite da ONU busque o setor de emergências. A ciência pode se beneficiar disso, também, com o aumento da resolução temporal de imagens de satélites oferecendo formas mais eficientes de mapear mudanças de habitats, movimentação da vida selvagem, erupções vulcânicas, e qualquer outra coisa que se mova na escala de horas, em vez de dias.
Existem, obviamente, limitações. Esses pequenos satélites orbitam baixo, cobrindo milhares de quilômetros em um hora, o que significa que eles são inúteis caso você queira observar um único pedaço de terra por mais de um segundo ou dois. Também há uma questão em relação à consistência das imagens, e isso só será respondido quando eles estiverem estabelecidos. E em comparação com o uso de drones para imagens aéreas em tempo real – o que é limitado para pequenas áreas – é uma opção bem cara.
Mas considerando os benefícios que eles podem fornecer, parece provável que esses enxames de satélites possam oferecer os dados atualizados que não temos ainda hoje.
Imagens via Skybox Imaging e Planet Labs
Fonte: GizModo



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